Evento não oferece uma boa estrutura para os futuros leitores
*por Márcia Santos
Foto: Márcia Santos
| Menino parece perdido entre adultos e livros na Bienal |
O maior evento literário do país não é lugar para crianças. Definitivamente a Bienal Internacional do Livro, no Riocentro, cuja proposta é “diversão para toda a família”, não se preparou e nem se preocupou em receber os pequeninos leitores. A falta de estrutura vai da empresa organizadora aos expositores.
Não que falte material para as crianças, a quantidade de livros e afins é enorme, mas os expositores esquecem que elas gostam e precisam de espaço. Os pequeninos tem a necessidade de manusear, ver e sentir os livros. Mas como fazer isso em ilhas abarrotadas de livros e com espaços estreitos entre uma e outra? Não dá nem para sentar no chão. O que seria diversão passa a ser estresse.
O tamanho da feira já é assustador para os adultos, imagine então para as crianças?
Logo na entrada existem carrinhos disponíveis para aluguel, mas só há equipamento disponível para bebês ou crianças de até 3 anos, os que são um pouco maiores, mas ainda pequenos para o tamanho do lugar vão ter que andar e muito.
Ao chegar a bilheteria, uma grande surpresa. As crianças também pagam. O que me preocupa, pois eles são os leitores do futuro e para algumas famílias levar os filhos fica mais do que caro, já que cada criança paga R$ 6.
Em todo o evento só existe um fraldário. Este não dispõe de nenhum recurso como pia, microondas e outras coisas necessárias para se cuidar de um bebê. Além de tudo é quente e sem nenhuma ventilação. As mães que precisam amamentar são obrigadas a fazê-lo em público, o que para algumas é muito constrangedor e devido ao grande movimento causa desconforto aos bebezinhos.
A alimentação é precária, só possui um lugar que vende comida de verdade, a maioria vende sanduiches, batata frita, salgadinhos e outras “porcarias” que as crianças adoram, mas nada saudável. Não há lugares suficiente para sentar, são pouquíssimos para o tamanho do evento. As cadeiras existentes são perigosas, muitas estão quebradas ou bambas. O risco para os menores é muito grande.
Os lugares, que segundo a divulgação do evento seriam para as crianças, como a Biblioteca Mirim e a Maré de Livros, ficam lotados pois o controle de entrada é falho, deixando os ambientes cheios e desconfortáveis.
Enfim, a falta de preparo e organização nos mostra que a Bienal não é lugar de criança, ainda há muito o que se aprender, mudar e melhorar.
*Aluna da eletiva Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, Universidade Candido Mendes - Tijuca e repórter na cobertura da Bienal do Livro 2011.
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