Evento tem um espaço inédito dedicado aos e-books
* por André Luiz Cardoso
Foto: Roberto Sturcket Filho (divulgação PR)
| Presidente Dilma e Ziraldo na Abertura da Bienal do Livro |
O já tradicional Café Literário foi inaugurado um debate sobre a função da crítica na nova produção literária brasileira, com a participação da escritora Ana Paula Maia, do jornalista, escritor e crítico Paulo Roberto Pires, e da professora de literatura Beatriz Rezende. Durante uma hora, os participantes discutiram a produção feita no país a partir da década de 90, e como a crítica se posiciona diante desse fenômeno.
Pires se referiu ao crítico literário Antônio Cândido para fazer uma análise da classe. “Existem dois aspectos do Antônio Cândido que não são muito lembrados: ele gostava de se arriscar. Resenhou uma autora de apenas 17 anos, Clarice Lispector, quando ela escreveu Perto do coração selvagem. E ele escrevia num português normal, acessível. Hoje, todo mundo fica em cima do muro”. Já Maia, autora da trilogia A saga dos brutos (Editora Record), afirmou que não era possível falar em uma unidade dessa nova literatura, uma vez que há diferenças significativas entre os autores.
Logo em seguida, o espaço recebeu as chefs Flávia Quaresma e Teresa Corção, que falaram sobre gastronomia, suas novas tendências e seu encontro com a literatura. Corção lembrou das poesias de Cora Coralina, ricas em referência sobre a cozinha. Já Quaresma disse ser fã de Clarice Lispector e seus contos. As duas ainda falaram sobre o movimento slow food, que prega uma alimentação de qualidade, e sobre a popularidade dos chefs, elevados à categoria de popstars. No fim, sobrou espaço até para dar uma receita de risoto de camarão para o público presente.
Já o espaço Mulher e Ponto, local de encontro entre escritoras e personalidades do universo literário, foi inaugurado com uma conversa entre Luciana Villas Boas, diretora-geral da editora Record, e Vivian Wyler, gerente-editorial da editora Rocco. As mudanças provocadas pela tecnologia no mercado editorial já tinham sido abordadas mais cedo, na série Encontros Profissionais, pelo vice-presidente da Amazon, David Naggar, em palestra que reuniu profissionais do mercado editorial dispostos a discutir os rumos e as oportunidades que o mercado de livros digitais tem a oferecer.
“A Amazon já vende três vezes mais livros digitais do que impressos nos Estados Unidos e esse número cresce a cada ano. Foram 900 mil apenas este ano, para mais de 150 países. O e-book pode alcançar um número cada vez maior de pessoas”, disse Naggar, que enfatizou a necessidade de tornar as obras cada vez mais acessíveis.
De olho em um mercado cada vez maior e disposta a oferecer literatura nas mais diversas plataformas, a Bienal do Livro Rio tem pela primeira vez um espaço dedicado aos e-books, a Bienal Digital. “A Bienal não pode se fechar para o que existe de novo. Trazer novidades é a nossa missão. Precisamos nos preparar para esse desafio que vem pela frente”, explica Sônia Jardim, a presidente do SNEL. Outro sucesso foi a Maré de Livros, o espaço infantil interativo que, com a curadoria de João Alegria, conquistou a atenção das muitas crianças de passeavam pela Bienal.
* Professor de jornalismo da Universidade Candido Mendes e da Faculdade Pinheiro Guimarães, responsável pela disciplina de Cobertura Jornalística de Grandes Eventos.
* Professor de jornalismo da Universidade Candido Mendes e da Faculdade Pinheiro Guimarães, responsável pela disciplina de Cobertura Jornalística de Grandes Eventos.
Legal, André!
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