quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Bienal ainda não sabe se comportar


O maior evento de literatura do Rio ainda sofre de problemas básicos de organização


por: Mayra Corrêa *
Foto: Divulgação
Ponto de ônibus lotado na Rua 28 de setembro no Rio de Janeiro. Ironicamente, a animação para aproveitar o feriado de 7 de Setembro e conferir a Bienal do Livro 2011, que acontece na cidade, não parecia se revelar no rosto dos presentes.
Uma senhora de idade e sua filha reclamavam que esperavam no local há mais de uma hora para conferir o evento. Como ela, pais e seu filho, um casal de namorados e outras pessoas no ponto pareciam compartilhar de suas indignações. Os ônibus demoravam para passar e quando passava, estavam tão lotados que eram aconselhados a não subir nele.
Muitos o comparavam com a organização demonstrada por outro grande evento que irá acontecer no Rio esse ano, o Rock in Rio, e fez uma parceria com empresas de ônibus e a RioCard, criando linhas exclusivas de ônibus para facilitar a locomoção de pessoas.
Passando pelo Riocentro já podia-se ver a quantidade de pessoas que havia decidido tornar literatura seu plano para o feriado da quarta-feira. As pessoas se organizavam em quatro filas que ziguezagueavam perto da entrada de carros; a última seguia até a porta do evento.
Perto da entrada real do evento, depois de horas esperando nas filas as pessoas ainda acabavam barradas pelos seguranças e esperavam ainda mais para entrar.
A organização disponibilizou o setor de compras de ingressos à esquerda, o setor de credencias a direita e a entrada para o evento no meio. O problema é que em um dia movimentado o número de pessoas comprando ingressos é grande e acabaram tendo que conciliar a passagem de pessoas. Ou se entrava para comprar ingresso, ou quem tinha ingressos em mão ia para a fila entrar no pavilhão.
Em determinado momento a animação com o evento diminuiu e o calor do dia de sol aumentou. As pessoas desistiram de ficar na fila e entraram para comprar seus ingressos sem cerimônia. Entravam umas na frente das outras tentando ser mais rápidas do que o sistema da Bienal deixava.
Depois de ingresso pago e mostrado aos responsáveis você podia conferir o evento. Conferir que as sinalizações de banheiro eram difíceis de ser vista do lado oposto do pavilhão. Conferir que as vezes precisava-se atravessar quatro stands até para encontrar a lixeira. Conferir poucos descontos, principalmente em relação a livros técnicos. Conferir bebidas e alimentos acima do preço normal.
Na volta para a casa, principalmente na chamada “hora do rush”, os jornais mostraram a dificuldade das pessoas no final do evento. Nenhum respeito com os leitores. Infelizmente, muitas pessoas sentiram que isso não os incentivará a voltar no evento, principalmente se a má organização continuar. Afinal, ele acontece há 15 edições e já deveria saber a estrutura que deve empregar.
Realmente, só gostando muito de ler para ir num evento desses.

* Aluna da eletiva Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, Universidade Candido Mendes - Tijuca e repórter na cobertura da Bienal do Livro 2011. 

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